MOTIVOS PARA LER

“Não existe apenas um modo de ler bem, mas existe uma razão precípua por que ler. Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? Se tivermos sorte, encontraremos um professor que nos oriente, mas, em última análise, vemo-nos sós, seguindo nosso caminho sem mediadores. Ler bem é um dos grandes prazeres da solidão; ao menos segundo a minha experiência, é o mais benéfico dos prazeres. Ler nos conduz à alteridade, seja à nossa própria ou à de nossos amigos, presentes ou futuros. Literatura de ficção é alteridade e, portanto, alivia a solidão. Lemos não apenas porque, na vida real, jamais conheceremos tantas pessoas como através da leitura, mas, também, porque amizades são frágeis, propensas a diminuir em número, a desaparecer, a sucumbir em decorrência da distância, do tempo, das divergências, dos desafetos da vida familiar e amorosa. (HAROLD BLOOM)

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“Às vezes a escola é a única oportunidade que as crianças têm de entrar em contato com a leitura. Mas a leitura não pode ser encarada como uma obrigação escolar, nem selecionada pelo que tem de ‘mensagem’. Deve ser posta na escola como educação artística, não como lição ou tarefa. O texto não pode ser usado, por exemplo, para a aula de gramática, a não ser de maneira muito viva, engraçada, interessante. Se assim não for, vira obrigação e, como diz Lobato, ‘é capaz de vacinar a criança contra a leitura para sempre’. (Ana & Ruth. 25 anos de Literatura. Org. Dau Bastos; textos de Carlos Moraes e Marisa Lajolo/Rio de Janeiro, Salamandra, 1995.)

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Quem lê livros lê melhor a vida

Por Galeno Amorim

Foi assim que Evaldo aprendeu a trocar a falta de oportunidades pela esperança de uma vida melhor: lendo!
- Quem não lê não sonha e não compreende os muitos significados que cada acontecimento guarda em si - diz ele, que começou a tomar gosto pelos livros ainda aos sete anos, quando se encantou com as histórias da cartilha Caminho Suave, da educadora Branca Alves de Lima.
Evaldo lia tudo, e queria mais. Então passou a escrever, para se entreter com os próprios textos. Venceu um concurso de redação, foi premiado com o livro A Pata da Gazela, de José de Alencar, e despertou a atenção dos professores, que passaram a lhe emprestar livros, já que ele não tinha como comprar.
Aos treze anos, precisou parar os estudos para trabalhar.
- Mas nunca parei com a leitura - lembra.
Embarcou na aventura dos irmãos Henrique e Eduardo, em A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, nos quadrinhos dos gibis, na bela história de Marta e sua família, em Açúcar Amargo, de Luiz Puntel, uma ficção que ele viveu na realidade, ao assistir de perto à greve de trabalhares em Guariba, interior de São Paulo, quando trabalhava como vendedor, sem imaginar que um dia estaria lendo aquela história.
Os romances completariam seu gênero favorito, como Vinhas da Ira, de John Steinbeck, outro livro que trata de problemas sociais, rurais e urbanos.
Foi assim que Evaldo, morador em Ribeirão Preto, viu que a vida se vive aqui fora, mas se pode viver mais em cada página dos livros. E por entender a leitura como uma importante ferramenta para aprender e evoluir, ele também voltou a estudar e conseguiu completar o ensino médio depois de casado.
Hoje, aos 49 anos, dois filhos, executivo de negócios, Evaldo Aparecido Felício ocupa uma cadeira na faculdade. O curso é Gestão em Marketing. Mas bem que poderia ser “gestão de vida”.

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